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autorresumo

"Fotogramas do meu coração conceitual.
Antena da praça.
Artista da poupança.
Tesão do talvez.
Água na boca.
Me deito a fumar debaixo da janela.
Rolo no colchão.
*
ATRÁS DOS OLHOS DAS MENINAS SÉRIAS Aviso que vou virando um avião. Cigana do horário nobre do adultério. Melindrosa basca com fissura da verdade. No flanco do motor vinha um anjo encouraçado, Charlie’s Angel rumando a toda para o Lagos, Seven Year Itch, mato sem cachorro. *
ENCONTRO DE ASSOMBRAR NA CATEDRAL Frente a frente, derramando enfim todas as palavras, dizemos, com os olhos, do silêncio. É jazz do coração.

Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las.
Me deito a fumar debaixo da janela.
Rolo no chão. E sem bravata, coração, aumento o preço.
Não cheguei ao mundo novo.
Estou tocada pelo fogo. Confirmo para mim a solidez dos cadeados.
Nunca mais te disse uma palavra.
Criou-se
entre Niterói, Copacabana e os jardins do velho Bennet.
Ao retornar, descobriu São Paulo e fixou residência no Rio.
Suicidou-se no dia 29 de outubro de 1983."



Utilizei o "AutoResumo" do Word no livro "A Teus Pés", de Ana Cristina César. A ferramenta autosselecionou 6% da obra, e o resultado é este, que incluiu, inclusive, parte da biografia da escritora. Ferramenta interessantíssima.


"JORNAL ÍNTIMO
          (...)
27 de junho
Célia sonhou que eu a espancava até quebrar seus dentes. Passei a tarde toda obnublada. Datilografei até sentir câimbras. Seriam culpas suaves. Binder diz que o diário é um artifício, que não sou sincera porque desejo secretamente que o leiam. Tomo banho de lua.

27 de junho
Nossa primeira relação sexual. Estávamos sóbrios. O obscurecimento me perseguiu outra vez. Não consegui fazer as reclamações devidas. Me sinto em Marienbad junto dele. Perdi meu pente. Recitei a propósito fantasias capilares, descabelos, pêlos subindo pelo pescoço. Quando Binder perguntou do banheiro o que eu dizia respondi “Nada” funebremente.
(...) 
27 de junho
O prurido só passou com a datilografia. Copiei trinta páginas de Escola de Mulheres no original sem errar. Célia irrompeu pela sala batendo com a língua nos dentes. Célia é uma obsessiva."

Ana Cristina Cesar. In: 26 poetas hoje. Organização de Heloisa Buarque de Hollanda; 6a ed. - Rio de Janeiro: Aeroplano Editora, 2007. p. 145/146.

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Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

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