“Um homem com músculos e os nervos à mostra. Ferido por tudo e por todos. Inadaptado ao seu tempo e à sua gente. Mas insatisfeito com essa inadaptação. Procurando a todo transe compreender, mas não compreendendo a linguagem dos seus contemporâneos. Fechando-se em sua solidão para resguardar a sua independência. Mas sem nada de misantropo e de desesperado, antes amando profundamente os homens e a vida.”

(Tristão de Athayde sobre Lúcio Cardoso)

*****

“Que é o para sempre senão o existir contínuo e líquido de tudo aquilo que é liberto da contingência, que se transforma, evolui e deságua sem cessar em praias de sensações também mutáveis? Inútil esconder: o para sempre ali se achava diante dos meus olhos. Um minuto ainda, apenas um minuto – e também este escorregaria longe do meu esforço para captá-lo, enquanto eu mesmo, também para sempre, escorreria e passaria – e comigo, como uma carga de detritos sem sentido e sem chama, também escoaria para sempre meu amor, meu tormento e até mesmo minha própria fidelidade. Sim, que é o para sempre senão a última imagem deste mundo – não exclusivamente deste, mas de qualquer mundo que se enovele numa arquitetura de sonho e de permanência – a figuração de nossos jogos e prazeres, de nossos achaques e medos, de nossos amores e de nossas traições – a força enfim que modela não esse que somos diariamente, mas o possível, o constantemente inatingido, que perseguimos como se acompanha o rastro de um amor que não se consegue, e que afinal é apenas a lembrança de um bem perdido – quando? – num lugar que ignoramos, mas cuja perda nos punge, e nos arrebata, totais, a esse nada ou a esse tudo inflamado, injusto ou justo, onde para sempre nos confundimos ao geral, ao absoluto, ao perfeito de que tanto carecemos.”

CARDOSO, Lúcio. Crônica da Casa Assassinada.




“[...] Meu irmão é dessas pessoas que acham que um poeta deve estar marcado pela desgraça e, sobretudo, que isto tem que ser notado, de modo que quando apareço todo corado e sorridente ele me contempla com alguma suspeita e ainda não tem opinião formada sobre a minha obra. Tenho certeza de que bastaria eu beber o tão argentino copo de cianureto para que ele descobrisse, sobre o meu túmulo, o lírico que hoje apenas imagina.”

CORTÁZAR, Julio. Divertimento.


O tempo, translúcido
Impede que vejamos
Quem fomos / Quem somos
Restam-nos alguns boatos:
Dispersaram-se na multidão
Estão submersos em saudade rasa.

PILOTO

Minha foto
Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

FORÇA MOTORA

TWITTER