Mostrando postagens com marcador jean paul sartre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador jean paul sartre. Mostrar todas as postagens


"Após passar a manhã dando aula, Sartre e Beauvoir instalavam-se num café para escrever. O preferido era o Flore, no Boulevard Saint-Germain, com suas cadeiras vermelhas e seus espelhos. O café não era muito conhecido na época, e os soldados alemães quase nunca lá punham os pés. Mas o melhor era o aquecimento da casa. Os quatro invernos da Ocupação seriam mais severos que o normal, com neve e gelo nas ruas de Paris. O carvão era racionado e os cortes de energia elétrica eram comuns. No meio do Flore, havia um enorme fogão de sala, que o proprietário mantinha bem abastecido com seu estoque de carvão comprado no mercado negro.
Sartre e Beauvoir trabalhavam em geral no segundo andar, onde era mais silencioso. Sentavam-se em extremidades opostas da sala para não caírem na tentação de conversar e – envoltos em fumaça de tabaco, em meio ao tilintar das xícaras de café, ao burburinho das conversas e à distração do movimento das pessoas que iam ao banheiro ou falar ao telefone – escreviam. Ambos usavam canetas-tinteiro. A letra de Sartre era pequena, regular e profissional. A de Simone, irregular, era quase impossível de decifrar. Até mesmo Sartre se queixava.
Na mesa ao lado da pilha de papéis do casal havia um pequeno bule de chá, uma xícara, um pires e um cinzeiro. Como todo mundo, eles fumavam. O tabaco era escasso durante a guerra, e Sartre vasculhava o chão do café à cata de guimbas de cigarro para abastecer seu cachimbo. Beauvoir gostava da sensação de um cigarro na mão, mas não tragava, nem se importava de ficar sem cigarros."

(Tête-à-Tête, Hazel Rowley)

MANJAR TURCO

Dream de pardal. Pardal sonhou que eu era um pardal. Ouvíamos Cat Power na varanda. Eu dançava feito tolo e cantava errado, enquanto ela permanecia na rede, fazendo bolhas de sabão e sorrindo. As paredes da minha casa eram lilases, o chão, azul claro – ela gostava dessas cores, então era assim. Pardal piou, é sonho bom. Pardal é o pássaro que eu queria ser. Quem é que cria pardal em gaiola? Quem é ela? Há tantas cores e sonhos e flores. Acordado eu queria abraçá-la sempre que a via sorrir, indiferente; em sonho eu dançava, ela, na rede. Pardal piou, é sonho bom. Mister, o coelho. Mister Quick Tick Wick tinha diamantes nos dentes e velejava por prazer nas tardes quentes de sábado. Mister Quick Wick Tick era um coelho marrom claro que não gostava de cenoura, era carnívoro por ideologia. Mister Tick Quick Wick tinha um cajado de ouro, com o qual iria atravessar uma avenida movimenta de Mônaco, mas foi atropelado por uma Mercedez Benz. Afogado. Bebo água como quem mata saudade e cato madrepérolas nas águas de sal. Fui menino, mineiro, banhado em rio, atravessei no braço o São Francisco, as Velhas, e o Gorutuba – menorzinho, mas somente velho, barrigudo e fraco é que vim conhecer as maravilhas do mar. Conheci bem, já no primeiro mergulho afundo encantado, encontrei a tal Yemanjá. Peito curf curf curf. O peito magro faz curf curf curf, peito magrinho faz cara de dor e de impaciência, nariz congestionado. Nariz congestionado inspira forte, dá um nó na garganta, e o peito curf curf curf, papel higiênico. Infla o peito e põe toda a força, expira o nariz congestionado, ai! A boca seca toma a cápsula colorida, vermelho e amarelo descem a goela. Deita na cama o corpo cansado, ai! Peito magrinho repete curf curf, nariz congestionado, alérgico a poeira, inspira e expira forte no papel, ai! Fecha os olhos melados e ardidos, tenta dormir, mas o peito curf curf, o nariz congestionado, alérgico a poeira, ai! A única coisa a fazer é tocar um... Paula, a hipocondríaca. Comprei um relógio novo, Paula Tina não foi comigo. Hipocondríaca, tinha medo, podia, de repente, morrer de AVC ou ataque cardíaco. Não bebe água do filtro para evitar pedra nos rins, água mineral, só fervida - quem sabe de onde vem? Carrega remédios nos bolsos - não usa bolsa, evita artrite -, no esquerdo, colírio para as lentes, no direito, neosaldina e luftal, nos de trás ela trás lenço e band-aid. Em casa quis lhe mostrar o relógio, mas ela já havia tomado rivotril. O que parece ser, mas não é. A menina bonita na frente do palco grita bis, ela é como Paula Tina que quer se casar - novamente e rapidamente. Quem é que se importa se a minha porta é uma porta torta, se o Jeffrey Eugenides diz na orelha estar solteiro e morar em NY? Continuo não acreditando nas verdades... Ontem tomei um capuccino à meia-noite com a comunicação social, e era esperta, ainda assim consegui dormir pouco depois. McLuhan disse que o meio é a mensagem, J-P. Sartre disse que o inferno são os outros, mamãe disse que leite com manga faz mal, e eu, o que é que vou dizer? Nada, ponto final

PILOTO

Minha foto
Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

FORÇA MOTORA

TWITTER