Mostrando postagens com marcador buenos aires. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador buenos aires. Mostrar todas as postagens

"SURGE ZORA" OU FICÇÃO AMOR 2000

Montevidéu, Buenos Aires, Santiago. Tenho certeza de que ela pensa que sou um psicopata. De fato pesquisei sobre sua vida, perguntei a amigos em comum, como ela é? Do que ela gosta? Do que ela não gosta? Quem são seus ex-namorados? Qual o motivo do choro incessante dela? Coisas assim. E, no mais, as pessoas já se expõem tanto, facebook, orkut, twitter, formspring, etc. e etc...
Paris e Londres. Não a conheço bem. Conhecemos-nos em uma festa junina que fazia muito frio, depois nos reencontramos através da internet, no total a vi apenas duas vezes – nas duas ela chorava tanto (!). Percebi que sofre de vários complexos, alguns bizarros, o mais notável é de que se acha excessivamente gorda, embora eu não veja em lugar algum mais perfeição do que nela.  Vai à academia de segunda a sexta; segunda quarta e sexta faz musculação, terça pilates e quinta jumping. Nos fins de semana prefere comidas calóricas e sexo casual.
Pelotas e Araxá. Minha irmã não tem certeza, mas acha que Luísa (esse é o nome dela) foi sua colega nos idos anos de primário. A minha maior surpresa foi descobri-la propensa às lágrimas desde criança. Maria Cecília, grande amiga, disse que elas foram colegas de italiano, e, segundo ela, como os italianos, Luísa é dramática e teatral.
Salvador e Rio de Janeiro. Trocamos poucas palavras até hoje. Na maioria das vezes nos limitamos a conversas com frases de, no máximo, cento e quarenta caracteres. Notei em suas fotos preferência por homens morenos, e isso me desesperou – estou tão branco, quase não tomo sol (!).
Montes Claros. Espero que nos encontremos nas férias, tête-à-tête, que eu tenha algo a lhe dizer, talvez comece por elogios ao seu sorriso, ou à foto dela em que apareço ao fundo, na festa junina em que nos conhecemos em meio ao frio e à indiferença. Espero também ter a oportunidade de abraçá-la, contaram-me que ela tem um cheiro bom.

PLAZA DE MAYO

Em um banco na Plaza de Mayo, no inverno de Buenos Aires, recostei-me, deixei que a cabeça caísse para trás, fechei os olhos, senti as pálpebras geladas, o tempo desacelerou. Naqueles minutos, enquanto o casal de namorados que me acompanhava tiravam fotos em frente à Casa Rosada, despertei-me dos meus medos, de forma tal que parecia ser necessária aquela viagem para o que senti ali naquele banco vir à tona. Vi, então, em minha mente, as imagens dos amores imperfeitos desmancharem-se aos poucos, como poeira. Vi Marcelle, com todo o seu fogo, derreter, como se fosse gelo, vítima de si mesma. Sophia, tão doce e amável, como era seu rosto? Antes de sumir já não me lembrava mais. Inês, pobre Inês, por quem mais sofri, desapareceu com desgosto, não merecia tanto, sei dos meus erros, o fato é que se desfez em poeira. O frio me acalmava, não sabia do tempo, não ouvia nada, as pálpebras estavam pesadas, apenas sentia um cheiro doce, cheiro de vida, cheiro colorido. Acordei assustado, a praça estava repleta de turistas, moradores, pássaros. O que sentia era alegria, as três não passavam de lembranças remotas, sequer me lembrava de seus rostos. Buenos Aires estava linda, a Plaza de Mayo era a minha casa, e aqueles velhos amores haviam ficado no banco, entre o milho que deixei para os pássaros.

PILOTO

Minha foto
Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

FORÇA MOTORA

TWITTER