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do conto "ana paula arrebatada", de 2010, que dediquei a minha querida amiga
04.
ana paula.
quero ser índio, exilar-me na mata, irmã dos bichos e de tudo. minha beleza é, ao mesmo tempo, minha inimiga, atraio meus inimigos pelos olhos – sem que eles saibam. se cruzo os braços e sorrio, tornam-me objeto, não querem ouvir a minha voz, querem-me nua, apenas, em uma cama larga, lençol cheirando a amaciante. pinto na tela meus traços, deformo meu rosto com o pincel, e assim me amo, como creio jamais ter sido amada. sou bela, enquanto tudo ao meu redor rui silenciosamente.
