“[...] 
Da garganta abotoada da anciã surgirá um cacarejo abafado:
- Não gosta dos animais, não é?
- Não. Não particularmente. Talvez porque nunca eu tenha tido algum.
- São bons amigos, bons companheiros. Sobretudo quando chegam a velhice e a solidão.
- Sim. É mesmo.
- São seres naturais, senhor Montero. Seres sem tentações.
- Como disse que se chamava?
- A coelha? Saga. Sábia. Segue seus instintos. É natural e livre.
- Pensei que fosse coelho.
- Ah, o senhor ainda não sabe distinguir.
- Bem, o importante é que a senhora não se sinta só.
- Querem que estejamos sós, senhor Montero, porque dizem que a solidão é necessária para se alcançar a santidade. Esqueceram-se de que na solidão a tentação é maior.
- Não a estou entendendo, senhora.
- Ah, é melhor, melhor. Pode continuar trabalhando.
[...]”

AURA. Carlos Fuentes.

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Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

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