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“Em todas as coisas, e especialmente nas mais difíceis, não devemos esperar semear e colher ao mesmo tempo, mas é necessária uma lenta preparação para que elas amadureçam gradativamente.”*

BACON, s/d, apud BECCARIA, 2005, p. 31.

*“In rebus quibuscumque difficilioribus non expectandum, ut quis simul, et serat, et metat, sed praeparatione opus est, ut per gradus maturescant.”



“Aqui vivem os heróis do esnobismo (ou os pensionistas de um manicômio abandonado). Sem espectadores – se é que não sou eu o público previsto desde o início –, a fim de serem originais, ultrapassam o limite do incômodo suportável, desafiam a morte. Isto é verídico, não é uma invenção do meu rancor... Tiraram o gramofone que fica na sala verde, contígua ao salão do aquário, e, mulheres e homens, sentados em bancos ou na relva, conversavam, ouviam música e dançavam em meio a uma tempestade de água e vento que ameaçava arrancar todas as árvores.”

BIOY CASARES, Adolfo. A invenção de Morel.


blue monk

“Antes de dormir, Carlos Fuentes resolveu perguntar a Julio Cortázar como, em que momento e por iniciativa de quem foi introduzido o piano na orquestra de jazz. A pergunta era casual e não pretendia conhecer mais que uma data e um nome, mas a resposta foi uma aula deslumbrante que se prolongou até o amanhecer, entre enormes canecos de cerveja e salsichas com salada de batatas. Cortázar, que sabia medir muito bem suas palavras, nos fez uma reconstituição histórica e estética com uma erudição e uma simplicidade que culminou com as primeiras luzes em uma apologia homérica a Thelonious Monk.”
Gabriel García Márquez – 12 de fevereiro de 1994






japoneses


"Não creio que o destino do japonês seja muito melhor. Na realidade, chego a pensar o contrário. A japonesa tem pelo menos a possibilidade de livrar-se, casando, do inferno da empresa. E não trabalhar numa empresa japonesa já me parece um fim em si.
Mas o japonês não é um asfixiado. Não se tratou de destruir nele, desde a mais tenra idade, qualquer indício de ideal. Ele está de posse de um dos direitos humanos mais fundamentais: o de sonhar, de nutrir esperanças. E não se priva dele. Imagina mundos quiméricos nos quais se sente livre e dono de seu nariz.
A japonesa não tem este recurso, se tiver sido bem educada – o que é o caso da maioria. Foi por assim dizer amputada dessa faculdade essencial. Por isto é que proclamo minha profunda admiração por toda japonesa que não se suicidou. De sua parte, permanecer em vida é um ato de resistência de uma coragem tão desinteressada quanto sublime."

Medo e Submissão - Amélie Nothomb



"Os contos hispano-americanos foram produzidos ao longo de muitos anos e são exponenciais de toda uma literatura vitalíssima. Os brasileiros sucumbiram (..) ao absurdo critério da atualidade. O resultado é que se defrontam grandezas quase antípodas. Para os lances de um Alejo Carpentier, de um Juan Rulfo, de um Juan José Arreola era preciso colocar nesse tabuleiro de xadrez peças equivalentes: O Meu Tio, O Iauretê de Guimarães Rosa ou seu A Terceira Margem do Rio é que poderiam aparecer ao lado de tais prodígios. E uma Clarice Lispector responderia a um Borges ou um Cortázar, uma Hilda Hilst a um Roa Bastos ou a um José Revueltas, uma Nélida Piñon de O Tempo das Frutas a um Bioy Casares, Um Vampiro de Curitiba de Danton Trevisan a um Juan Carlos Onetti.
Os Contos de Rubem Fonseca e Roberto Drummond (...) parecem pigmeus em terras do Gulliver lembrado por Borges em seu O Relato de Brodie, tal a sua banalidade e ausência de significado mais autoelogiável do que antologiável. (...) Sérgio Sant’Anna defende bem seu ângulo mineiro, mas comparar quem há-de? com um mero Carlos Fuentes ou um Vargas-Llosa em dia de pouca inspiração?"

(O Continente Submerso, Leo Gilson Ribeiro)



"Após passar a manhã dando aula, Sartre e Beauvoir instalavam-se num café para escrever. O preferido era o Flore, no Boulevard Saint-Germain, com suas cadeiras vermelhas e seus espelhos. O café não era muito conhecido na época, e os soldados alemães quase nunca lá punham os pés. Mas o melhor era o aquecimento da casa. Os quatro invernos da Ocupação seriam mais severos que o normal, com neve e gelo nas ruas de Paris. O carvão era racionado e os cortes de energia elétrica eram comuns. No meio do Flore, havia um enorme fogão de sala, que o proprietário mantinha bem abastecido com seu estoque de carvão comprado no mercado negro.
Sartre e Beauvoir trabalhavam em geral no segundo andar, onde era mais silencioso. Sentavam-se em extremidades opostas da sala para não caírem na tentação de conversar e – envoltos em fumaça de tabaco, em meio ao tilintar das xícaras de café, ao burburinho das conversas e à distração do movimento das pessoas que iam ao banheiro ou falar ao telefone – escreviam. Ambos usavam canetas-tinteiro. A letra de Sartre era pequena, regular e profissional. A de Simone, irregular, era quase impossível de decifrar. Até mesmo Sartre se queixava.
Na mesa ao lado da pilha de papéis do casal havia um pequeno bule de chá, uma xícara, um pires e um cinzeiro. Como todo mundo, eles fumavam. O tabaco era escasso durante a guerra, e Sartre vasculhava o chão do café à cata de guimbas de cigarro para abastecer seu cachimbo. Beauvoir gostava da sensação de um cigarro na mão, mas não tragava, nem se importava de ficar sem cigarros."

(Tête-à-Tête, Hazel Rowley)


“Most people don't see what's going on around them. That's my principal message to writers: for God's sake, keep you eyes open. Notice what’s goning on around you (…).”

BURROUGHS, William S. The Paris Review - The Art of Fiction, no. 36, pg. 15. 

Escritor multifaceta que conheci no Jabuticabas, cuja entrevista encontrei no The Paris Review, mais especificamente aqui.

ISTO NÃO É UM HINO PARA UMA MULHER DE VINTE E POUCOS ANOS DE IDADE


Soaria falso dizer que crê no amor adocicado das comédias românticas ou no amor incondicional dos dramalhões – não, não crê, além de enxergar na falsa naturalidade de tais gêneros cataclismos absurdos. Todavia crê no amor, o cru, o repetitivo, que preenche vazios com sexo, que se torna amizade, apenas, sem trepidações no coração. Insiste em dizer que não há nada mais catastrófico e belo que o início e o fim dos romances. Park that car / drop that phone / sleep on the floor / dream about me [1]. O amor tinha sabor, cheiro e textura de sexo, o restante parecia-se mais com amizade. A ideia de limitar a vida a uma pessoa – uma única – amedrontava a pobre garota de dezessete anos que queria ser considerada mulher, porque mulher que é mulher, madura, sabe manter um relacionamento, herança de fracassos anteriores. Os pais sempre foram liberais quanto ao sexo, mas ela sabia de certos limites que não diziam a respeito de posições ideológicas: quando transava em seu quarto ligava o estéreo em volume alto que permitisse os gritos e impedisse a audição dos ruídos de amor. Gostava de transar ao som de Francis A. Sinatra & Edward K. Ellington, vinil que herdou do avô – disse ao menos uma vez, em sussurros, aos três namorados com os quais transou ao som desse vinil “querido, sou sua”. And if she’ll say, “My darling, I’m yours” / I’ll throw away my striped tie / and my best pressed tweed / all I really need is the girl [2]. O amor às vezes vem precoce, absorve a adolescência e persegue enquanto houver vida, e da paciência que surge, esperançosa, escuta-se sempre um ruído triste que ocupa as noites que outrora foram preenchidas por ruídos de amor. Concordou com Nietzsche com veemência em relação ao tópico (assim por ela chamado) 415 denominado “AMOR” de Humano, Demasiado Humano, não sem antes, dois anos antes, condená-lo pelo mesmo tópico. Concordara com o filósofo nos dois momentos quanto aos tópicos 400 e 401, pois as mulheres se tornam por amor exatamente o que elas são no pensamento dos homens por quem são amadas e, na maioria das vezes as mulheres amam um homem de valor, de modo que querem tê-lo só para si. Elas o deixariam de bom grado em cárcere privado, se sua vaidade não as dissuadisse: esta quer que apareça a outras também como um homem de valor [3]. O primeiro namorado foi ela quem conquistou e também foi ela quem se cansou, o amor terminou por ócio, e embora a virgindade perdida mutuamente houvesse tido sabor mágico, não foi suficiente para prendê-la a ele. O segundo foi explosivo, durou um mês, suficiente para declarações de amor eterno, sexo diário (inclusive tentativa de sexo anal) e declarações de ódio eterno; o amor acabou em seu aniversário de dezesseis anos. O terceiro foi o mais intenso, all these people drinking lover's spit / swallowing words while giving head / they listen to teeth to learn how to quit / take some hands and get used to it [4], houve comemoração de aniversário de namoro e planos de vida – separados – e nisso se entendiam. Mas de que adiantaria parar naquele homem com pouca barba, pouca experiência, pouca idade, pouco tudo? Queria ser mulher inteira, experiente, e tinha apenas dezessete anos – que já não os tem. Resolveu que para amadurecer precisaria sofrer no mínimo três anos o amor perdido, assim amaria de verdade outras vezes mais. Passou os três anos dedicando-se a um estudo – inútil? – sobre os reflexos da Lei da Anistia (que concedeu perdão tanto aos civis que cometeram crimes políticos nos anos de ditadura, quanto aos militares que a impuseram) no estado democrático de direito. O estudo quedou-se inacabado. Transou com semi-conhecidos e desconhecidos, não obtendo satisfação compensatória. Em seu aniversário de vinte e um anos não convidou os amigos para a festa que não aconteceu, apenas tocou no estéreo um rock triste, que apenas era triste porque assim queria, e não se emocionou. Não havia motivo. Metal heart you're not worth a thing [5].





[1] Broken Social Scene - Anthems For A Seventeen Year-Old Girl.
[2] Frank Sinatra & Edward K. Ellington – All I Need Is The Girl.
[3] Nietzsche – Humano, Demasiado Humano.
[4] Broken Social Scene – Lover’s Spit.
[5] Cat Power – Metal Heart.

HOTEL PARADISE: SUÍTE 141

in memoriam de William Wordsworth e William Shakespeare

O tempo que há em tudo
reside em mim, por conseguinte
persegue-me no absurdo
tornando-se presente no interior
deste quarto que insiste em ser lugar-comum
Hotel Paradise: suíte 141

so I am as the rich whose blessed key
Can bring to me this sweet up-locked treasure*

A chave do tempo
ferrolho do que é inanimado
persegue-me nestes dias de inverno
“ah, dia marrom”
grita a camareira do meu hotel chinfrim –
é preciso assear o que me estende

Ratifico o que escreveu Shakespeare, por fim
pois, sendo eu apenas rico de coração
tenho 10 reais e a compaixão da camareira 
que me observa, nu na cama
com intimidade que me estranha
e que, embora próxima dos 50 anos
ainda pode me glorificar com seu doce tesouro trancafiado.

*Versos de abertura do soneto LII de Shakespeare.

ENQUANTO DAISY LOWE DANÇA PARA A ESQUIRE OU "A WOMAN WE LOVE"

para Rodrigo

Youre so cool / Youre sweet and rude /Youre so plain that it's special / It's nuttin like you / Well, aww hoo / oo-oooo-oo-ooo / You make me stand up, and holla ‘do the hoochie coo!’ / Youre so cool.
Mila Kunis talvez não seja tão bonita quanto imagino e me lembro. Quem sabe ler O Tratado do Desespero e da Beatitude seja mais interessante que admirar Mila Kunis na capa da Esquire americana de fevereiro? Renata me disse que buscamos o equilíbrio entre alma, coração, mente e razão, algo assim; estávamos bêbados, não entendi muito bem e ri dela, embora concorde com o que ela disse (?). Algo como acordar no meio da madrugada e ver Mila Kunis, no prédio ao lado, entrar em seu apartamento de janelas gigantes e escancaradas e despir-se, despretensiosamente, talvez exemplifique a minha maneira de conceber o voyeurismo. O amor não se explica, não se compreende, não creio que a filosofia alcance o significado do amor. Prefiro senti-lo, ainda que em imagens, ainda que na imaginação – fitando uma parede branca. À noite prefiro as mulheres aos filósofos, perdoem-me aqueles que consideram a minha heresia.







HISTÓRIA DE QUINZINHO

'quizinho era um louco que fazia
o trajeto montes claros-janaúba,
no norte de minas

pra alegrar suas caminhadas
construiu um caminhãozinho
de madeira, transportando nele
várias mercadorias, todas vindas
de suas fazendas, dizia

gado, arroz, carvão, pequi e, mais
recentemente, soja. tudo muito
bem arrumado no seu
caminhãozinho de brinquedo

quinzinho morreu atropelado perto
de capitão enéas quando trocava
o pneu do seu caminhãozinho
no acostamento'

Nicolas Behr, Primeira Pessoa

Homenagem (?) às minhas cidades, Montes Claros e Janaúba, e a Capitão Enéas, a pior parada possível da linha Montes Claros-Janaúba. 





"JORNAL ÍNTIMO
          (...)
27 de junho
Célia sonhou que eu a espancava até quebrar seus dentes. Passei a tarde toda obnublada. Datilografei até sentir câimbras. Seriam culpas suaves. Binder diz que o diário é um artifício, que não sou sincera porque desejo secretamente que o leiam. Tomo banho de lua.

27 de junho
Nossa primeira relação sexual. Estávamos sóbrios. O obscurecimento me perseguiu outra vez. Não consegui fazer as reclamações devidas. Me sinto em Marienbad junto dele. Perdi meu pente. Recitei a propósito fantasias capilares, descabelos, pêlos subindo pelo pescoço. Quando Binder perguntou do banheiro o que eu dizia respondi “Nada” funebremente.
(...) 
27 de junho
O prurido só passou com a datilografia. Copiei trinta páginas de Escola de Mulheres no original sem errar. Célia irrompeu pela sala batendo com a língua nos dentes. Célia é uma obsessiva."

Ana Cristina Cesar. In: 26 poetas hoje. Organização de Heloisa Buarque de Hollanda; 6a ed. - Rio de Janeiro: Aeroplano Editora, 2007. p. 145/146.

EXÍLIO

“(...) se o verdadeiro exílio é uma condição de perda terminal, por que foi tão facilmente transformado num tema vigoroso — enriquecedor, inclusive —da cultura moderna? Habituamo-nos a considerar o período moderno em si como espiritualmente destituído e alienado, a era da ansiedade e da ausência de vínculos. Nietzsche nos ensinou a sentir-nos em desacordo com a tradição, e Freud a ver na intimidade doméstica a face polida pintada sobre o ódio parricida e incestuoso. A moderna cultura ocidental é, em larga medida, obra de exilados, emigrantes, refugiados. Nos Estados Unidos, o pensamento acadêmico, intelectual e estético é o que é hoje graças aos refugiados do fascismo, do comunismo e de outros regimes dados a oprimir e expulsar os dissidentes. O crítico George Steiner chegou a propor a tese de que todo um gênero da literatura ocidental do século XX é ‘extraterritorial’, uma literatura feita por exilados e sobre exilados, símbolo da era do refugiado. E sugeriu:

Parece apropriado que aqueles que criam arte numa civilização de quase barbárie, que produziu tanta gente sem lar, sejam eles mesmos poetas sem casa e errantes entre as línguas. Excêntricos, arredios, nostálgicos, deliberadamente inoportunos...”



SAID, Edward. Reflexões sobre o exílio. In: Reflexões sobre o exílio e outros ensaios. São Paulo:
Companhia das Letras, 2003. p.46.




     "(...) Talvez seja necessário, na discussão de um espaço ainda crítico para a crítica, matar mais uma vez Wilson Martins (crítico literário). Já que sua transformação em imago exemplar parece expor inequívoca vontade de retorno a algo próximo à tradição das Belas Letras, a um regime estável e hierarquizado de vozes e gêneros, a regras fixas de apreciação e prática textual, a um apagamento de novos espaços de legibilidade, espaços ainda não demarcados ou nomeados, e sugeridos por formas de compreensão expansivas, e não exclusivas, do campo da literatura. Um desejo de reierarquização e pureza que não parece sem sintonia com o temor de um universo sóciopolítico menos hierarquizado, com a expansão meio informe de uma classe média cujo imaginário não parece ultrapassar uma coleção inesgotável de bens de consumo. E com uma extraordinária expansão das práticas digitais de escrita, acompanhada, paradoxalmente, no entanto, de uma quase invisibilidade coletiva dessas manifestações, de um encolhimento quase ao absurdo da esfera pública.
   (...) O que parece, no entanto, nostálgico, reativo, talvez não aponte exclusivamente para um período anterior à formação da crítica moderna no Brasil, mas para uma reprodução esvaziada de sentido, e desligada de vínculos efetivos com a experiência histórica, de comportamentos, práticas de escrita e certo culto à autodivulgação e à vida literária que parecem se expandir (em prêmios, concursos, revistas, blogs, antologias, bolsas de criação) em movimento inverso ao da restrição que se opera no campo da produção e da compreensão da literatura, ao da quase total desimportância de livros e mais livros que se acumulam sem maior potencial de instabilização, sem provocar qualquer desconforto, sem fazer pensar. Uma restrição que talvez indique uma incapacidade não só da crítica, mas do campo literário, de modo geral, de reinventar a sua sociabilidade, de produzir condições outras para a própria prática."

FLORA SÜSSEKIND - a crítica como papel de bala.

CITAÇÃO


"Amo e padeço como qualquer um, odeio, divirto-me, e, boa ou má, sou uma verdade estabelecida entre os outros, e não uma fantasia." 

Cardoso, Lúcio, 1912-1968
      Crônica da casa assassinada / Lúcio Cardoso. - 12ª edição - Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2009. Pg. 61.

INTERREGNO

Lanço-me ao acaso como forma de evitar que eu me perca, sempre. Cada nova investida é um mergulho de ponta em piscina rasa, não demoro a quebrar cara. Indeciso, instável, flexível, fraco, transigível, dentre outros adjetivos – comuns aos meus ouvidos. Lanço-me e ainda assim me perco, fazendo-se quase palpável o círculo em que permaneço: lançar perder lançar perder lançar perder lançar, apesar disso consigo me divertir. Entretanto não suporto os adjetivos, a psicologia barata para me entender. Hoje, quinze minutos atrás, decidi não mais escrever poesia. Poesia é tudo o que não sou, ausente de lirismo e da certeza que a poesia necessita. Faço-me mais entendido assim, em prosa, até porque tenho em mim que os poetas são áureos, como divindades, um passo a frente da razão, e diariamente me olho no espelho e não vejo nada. Porém não ponho fim ao que porventura possa surgir em um sonho, um devaneio diurno, pois, como sabiamente disse Jorge Amado sobre outro assunto, “meu materialismo não me limita”. Também tem aquela outra hipótese, “comecei a escrever poesia para conquistar namoradinhas”, citando um poeta cujo nome não me lembro. Namoradinhas podem surgir por aí.

PILOTO

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Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

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