"Não creio que o destino do japonês seja muito melhor. Na realidade, chego a pensar o contrário. A japonesa tem pelo menos a possibilidade de livrar-se, casando, do inferno da empresa. E não trabalhar numa empresa japonesa já me parece um fim em si.
Mas o japonês não é um asfixiado. Não se tratou de destruir nele, desde a mais tenra idade, qualquer indício de ideal. Ele está de posse de um dos direitos humanos mais fundamentais: o de sonhar, de nutrir esperanças. E não se priva dele. Imagina mundos quiméricos nos quais se sente livre e dono de seu nariz.
A japonesa não tem este recurso, se tiver sido bem educada – o que é o caso da maioria. Foi por assim dizer amputada dessa faculdade essencial. Por isto é que proclamo minha profunda admiração por toda japonesa que não se suicidou. De sua parte, permanecer em vida é um ato de resistência de uma coragem tão desinteressada quanto sublime."
Medo e Submissão - Amélie Nothomb
