"Os contos hispano-americanos foram produzidos ao longo de muitos anos e são exponenciais de toda uma literatura vitalíssima. Os brasileiros sucumbiram (..) ao absurdo critério da atualidade. O resultado é que se defrontam grandezas quase antípodas. Para os lances de um Alejo Carpentier, de um Juan Rulfo, de um Juan José Arreola era preciso colocar nesse tabuleiro de xadrez peças equivalentes: O Meu Tio, O Iauretê de Guimarães Rosa ou seu A Terceira Margem do Rio é que poderiam aparecer ao lado de tais prodígios. E uma Clarice Lispector responderia a um Borges ou um Cortázar, uma Hilda Hilst a um Roa Bastos ou a um José Revueltas, uma Nélida Piñon de O Tempo das Frutas a um Bioy Casares, Um Vampiro de Curitiba de Danton Trevisan a um Juan Carlos Onetti.
Os Contos de Rubem Fonseca e Roberto Drummond (...) parecem pigmeus em terras do Gulliver lembrado por Borges em seu O Relato de Brodie, tal a sua banalidade e ausência de significado mais autoelogiável do que antologiável. (...) Sérgio Sant’Anna defende bem seu ângulo mineiro, mas comparar quem há-de? com um mero Carlos Fuentes ou um Vargas-Llosa em dia de pouca inspiração?"
(O Continente Submerso, Leo Gilson Ribeiro)
