HOTEL PARADISE: SUÍTE 141

in memoriam de William Wordsworth e William Shakespeare

O tempo que há em tudo
reside em mim, por conseguinte
persegue-me no absurdo
tornando-se presente no interior
deste quarto que insiste em ser lugar-comum
Hotel Paradise: suíte 141

so I am as the rich whose blessed key
Can bring to me this sweet up-locked treasure*

A chave do tempo
ferrolho do que é inanimado
persegue-me nestes dias de inverno
“ah, dia marrom”
grita a camareira do meu hotel chinfrim –
é preciso assear o que me estende

Ratifico o que escreveu Shakespeare, por fim
pois, sendo eu apenas rico de coração
tenho 10 reais e a compaixão da camareira 
que me observa, nu na cama
com intimidade que me estranha
e que, embora próxima dos 50 anos
ainda pode me glorificar com seu doce tesouro trancafiado.

*Versos de abertura do soneto LII de Shakespeare.

PILOTO

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Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

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