Lanço-me ao acaso como forma de evitar que eu me perca, sempre. Cada nova investida é um mergulho de ponta em piscina rasa, não demoro a quebrar cara. Indeciso, instável, flexível, fraco, transigível, dentre outros adjetivos – comuns aos meus ouvidos. Lanço-me e ainda assim me perco, fazendo-se quase palpável o círculo em que permaneço: lançar perder lançar perder lançar perder lançar, apesar disso consigo me divertir. Entretanto não suporto os adjetivos, a psicologia barata para me entender. Hoje, quinze minutos atrás, decidi não mais escrever poesia. Poesia é tudo o que não sou, ausente de lirismo e da certeza que a poesia necessita. Faço-me mais entendido assim, em prosa, até porque tenho em mim que os poetas são áureos, como divindades, um passo a frente da razão, e diariamente me olho no espelho e não vejo nada. Porém não ponho fim ao que porventura possa surgir em um sonho, um devaneio diurno, pois, como sabiamente disse Jorge Amado sobre outro assunto, “meu materialismo não me limita”. Também tem aquela outra hipótese, “comecei a escrever poesia para conquistar namoradinhas”, citando um poeta cujo nome não me lembro. Namoradinhas podem surgir por aí.
PILOTO
- Eduardo Martins
- Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.
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