CARTA A CAROLINA

Quando eu terminar de ler Navegação de Cabotagem eu vou emprestá-lo a você por um ano para que possa ler também, é muito bom, uma viagem histórica e cultural, vai adorar. O Jorge Amado se mostra muito humano nele, engraçado é que eu me identifico muito com o Jorge, não na inteligência, claro, mas na pessoa que ele foi... Sei lá, tá, não tenho muita coisa dele, ele é todo bonachão, e eu não, não sei, há algo nele em que me identifico, acho que é a herança nordestina que trago no sangue. Ele não foi um gênio da literatura, não revolucionou nem nada, porém vendeu pra caramba - na literatura brasileira só perde para Paulo Coelho, que nem conta -, foi um magnífico contador de histórias, histórias para todos, além de ter sido um dos principais difundidores da cultura baiana, da nação da Bahia, ele era o tal. Deu vontade de conversar isso com você porque lendo o Navegação de Cabotagem achei a Zélia Gattai, mulher do Jorge, parecida com você em gênio, mulher decidida, que sabe o que quer, que domina, porém que não perde a feminilidade, a doçura. E o jeito com que eles se tratam, meio 'moleque', lembrou-me nossos melhores tempos.

P.S.: ainda espero, sem pressa, a devolução do meu Gabriela Cravo e Canela.

PILOTO

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Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

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