“Em todas as coisas, e especialmente nas mais difíceis, não devemos esperar semear e colher ao mesmo tempo, mas é necessária uma lenta preparação para que elas amadureçam gradativamente.”*
BACON, s/d, apud BECCARIA, 2005, p. 31.
*“In rebus quibuscumque difficilioribus non expectandum, ut quis simul, et serat, et metat, sed praeparatione opus est, ut per gradus maturescant.”
Estende o ponto
transforma em conto
segue o rumo
vende a métrica
com desconto
no brechó do Alcides (outro sem metafísica)
Cata pedra
– quanta madrepérola!
sem molusco é apenas água e sal
(cream cracker)
No quintal que já não há
de quem nunca chegou a ser
tudo já era
Vira e mexe
volta em mi ou si
doce memória infantil
Pega e larga
o segredo do espaço
codificado no compasso
ansioso das pernas
Bate palmas
esquece códigos
encontra nada
quase foi.
“Aqui vivem os heróis do esnobismo (ou os pensionistas de um manicômio abandonado). Sem espectadores – se é que não sou eu o público previsto desde o início –, a fim de serem originais, ultrapassam o limite do incômodo suportável, desafiam a morte. Isto é verídico, não é uma invenção do meu rancor... Tiraram o gramofone que fica na sala verde, contígua ao salão do aquário, e, mulheres e homens, sentados em bancos ou na relva, conversavam, ouviam música e dançavam em meio a uma tempestade de água e vento que ameaçava arrancar todas as árvores.”
BIOY CASARES, Adolfo. A invenção de Morel.
Frente a tantas possibilidades, tem o destino, talvez com malícia, o arbítrio do futuro, instante em que o torna presente – o futuro é sempre agora. Livro-me da dúvida, do ‘se’, através de meditações diárias, obstinadas e regulares, quase sempre matutinas... Certas convicções permanecem: prefiro a certeza do que sou, embora espere que não seja, pois nada é mais bonito que o nada.
Como se estivesse em pranto, mas ao contrário, não chorava e o que era expelido seguia de fora para dentro. A preferência por pessoas eloquentes é nítida e talvez uma contradição, já que tímido – mas há um propósito: evitar o silêncio. Não que o silêncio seja um problema, quando só é necessário suportar sua verdade, e isso domina bem. Então as palavras saíam em sentido inverso ao do não-choro. E pareciam tão mais abstratas, estavam soltas sem meio de comunicação; sem destino. Nada que as justificasse, embora fossem necessárias. Dizer o que realmente quer dizer é menos importante que dizer a quem quer dizer o que quer que seja; ainda que sem destino. Compreender também não é tão importante. Surpreender e daí receber um sorriso em resposta, eis o mérito.
autorresumo
PILOTO
- Eduardo Martins
- Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.