“Aqui vivem os heróis do esnobismo (ou os pensionistas de um manicômio abandonado). Sem espectadores – se é que não sou eu o público previsto desde o início –, a fim de serem originais, ultrapassam o limite do incômodo suportável, desafiam a morte. Isto é verídico, não é uma invenção do meu rancor... Tiraram o gramofone que fica na sala verde, contígua ao salão do aquário, e, mulheres e homens, sentados em bancos ou na relva, conversavam, ouviam música e dançavam em meio a uma tempestade de água e vento que ameaçava arrancar todas as árvores.”
BIOY CASARES, Adolfo. A invenção de Morel.
