“[...] Estou velho. Eis-me arriado em cima de uma cadeira, comprometido até o pescoço na vida e não acreditando em nada. [...] Estou aqui, saboreio-me, sinto um gosto velho de sangue e água ferruginosa, meu gosto, eu sou meu próprio gosto, eu existo. Existir é isto: beber-se a si próprio com sede. [...] É assim que eles me veem, eles, Daniel, Marcelle, Brunet, Jacques: o homem que quer ser livre. Come, bebe, como qualquer outro, é funcionário, não faz política, L’Euvre e Le Populaire e está em dificuldades financeiras. Mas quer ser livre, como outros desejam uma coleção de selos. A liberdade é seu jardim secreto. Sua pequena conivência consigo mesmo. Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, razoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou? [...]"

SARTRE, Jean-Paul. A Idade da Razão. p. 77/78.


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Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

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