I
E se ele disser que fui eu quem quebrou a porcelana portuguesa de D. Mirtes? Nesta casa, em meio a estas pessoas de sobrenome estranho ao meu – os de Carvalho Almeida –, Paulo possui mais credibilidade e a sua palavra, confrontada com a minha, tem mais valor. Caso diga, aceitarei a culpa, resignado como uma puta (porém).
Paulo tem sobrancelhas grossas e um emprego, ganha bem e os seus ombros são largos – é o bastante para que nos comparem e me achem um merda. Às vezes penso que ele gosta de mim, mas um gostar de irmão mais velho, que protege o caçula em uma briga na escola, que o fode com a família mesmo sabendo-o inocente: ele diz “foi ele quem quebrou a porcelana”, apontando-me o braço pesado. Sei que foi ele, entretanto, o que posso fazer? Ele me enraba e eu não reclamo, peço desculpas a D. Mirtes e prometo comprar uma nova, diretamente de Lisboa ou de seja-lá-de-onde-for.

PILOTO

Minha foto
Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

FORÇA MOTORA

TWITTER