Não tenho tempo para medicina.
Dores crônicas convivem comigo, agora mesmo ouço meu nervo ciático chiar
– no glúteo esquerdo.
O que me falta é barba, eis o motivo de toda a minha indecisão/preocupação
/pessimismo.
A única esperança do não-eu barbudo é ser músico de jazz,
apesar de nunca ter conhecido algum, creio sejam eles o oposto de mim:
apesar de introspectivos, tão atraentes.
Bill Evans tocando my foolish heart 
(as cores... não existem).
Hoje é um dos últimos dias de maio,
a idade subindo as escadas, mais um...
Inspiro forte e mais uma dor surge, no pulmão, do lado esquerdo,
abaixo da última costela.
Todas as minhas dores, crônicas ou não, são sentidas do lado esquerdo
– sempre soube que ser canhoto é sinal de ser errado.

E. DEGAS - ANA PAULA ARREBATADA

I
Escrevo do mesmo lugar dos fatos que aqui narrarei. Retifico-me. Não escrevo, já que não possuo lápis, caneta, pincel, giz, carvão ou qualquer outro material, e, antes, não possuo papel sequer. Narro, portanto. Mas não possuo voz (quais eram os desequilíbrios das minhas cordas vocais?). Contradigo-me – sem dizer, de fato. Penso, portanto, e é através de pensamentos que narro.
Senti medo ao chegar aqui – lugar ermo e mal iluminado. Talvez tivesse sentido a sensação de estar sendo observada por um estranho de, não sei, mil olhos, com o poder de me enxergar por todos os ângulos e prever os meus movimentos, ver-me nua – em extensão e profundidade. O silêncio impera, é impossível crer que ele fora rompido por um grito – lacônico – da mulher que se soube prestes à tragédia. Tudo é tão calmo agora, e antes...
Quando cheguei aqui tudo estava pronto: a tela, os pincéis, as tintas, apenas me aguardavam, ansiosos, tensos, e curiosos com o meu talento. Apesar de mal iluminado, a pouca luz que permanece é maravilhosa que chega a adiantar-me o gozo. Entendi, tão logo aqui entrei, os homens na caverna de Platão que, encantados com as sombras, criaram-lhes vida (encorpada, massificada, esdrúxula). Despi-me. A Vida é tão breve e falsa com o corpo a ponto de no momento de fuga da alma privá-lo de cor e calor, tingindo-lo a tez, secando-lo os lábios. Nua, como a morta, eu era contradição, porque ainda quente embora tão bela quanto.
O motivo da morte eu não sei precisar, tampouco quanto tempo aquele corpo ali se encontra. Tem bonitos seios, como os meus, pequenos e rijos. O rosto não expressa medo, talvez tenha morrido dormindo, que é a maneira como espero morrer. Porém isso é pouco provável, devido aos chupões no pescoço, às marcas de unhadas e socos pelo corpo, à vagina maltratada. Ouço que não me cabem suposições, nem juízos: ao trabalho, Ana Paula!
 (...)

OBRIGADO POR DIZER TCHAU - BELARMINO, PARTE I

Belarmino, esse é o nome dele. Dentre tantos nomes, infinitos, bonitos ou cheirando menos a naftalina, escolhi Belarmino como o amor da minha vida – por cinco anos. Não que ele seja feio, ele figura no panteão (os amores morrem em mim) dos homens médios, aqueles que passam despercebidos nos lugares públicos, que não atraem a desconfiança, tampouco a repulsa. Ele é um jovem de vinte e cinco anos idoso para as listas e prognósticos: Belarmino dos Anjos Cruz.
Conheci-o através de uma amiga em comum, a Ritinha. Ela sofre de dermatite atópica, alergia a ácaros, naquela época se coçava muito, bibliotecas eram seus algozes, que pena!, ela ama os livros. O pai do Belarmino era médico – era porque morreu –, dermatologista, e em uma consulta pediu a Ritinha que convidasse seu filho, gênio incompreendido, para tomar um chope. Bela, como era chamado pelo pai, andava cabisbaixo, nenhum dos cinco cursos em que passou nos vestibulares o agradava, vivia em casa atracado aos livros, em estudos que, segundo ele, provariam a predominância da letra B na literatura ocidental. Bem, a Ritinha convidou o Belarmino para um chope, como o doutor queria, mais por educação que por compadecimento, porém gostou do jovem que cheirava a óleo de peroba e se escondia dentre os ombros largos. Quando ela decidiu se mudar para New York por ser um lugar com menos ácaros, promessa de vida feliz longe das urticárias e pomadas dermatológicas, nós decidimos realizar uma festa de despedida. Nessa festa conheci o rapaz estranho da letra B.

DIA VERMELHO OU .357 MAGNUM



Hoje o dia será muito aborrecedor. O aluguel venceu, daqui a pouco virão me cobrar. Desde segunda não compareço ao trabalho, hoje é quinta, certamente me telefonarão. A minha namorada me traiu ontem após descobrir que eu a traí, ela irá me procurar e pedir perdão, chorar feito louca no chão da minha sala. Será um dia cão.
Comprei um .357 Magnum, cabo de madeira, de um bandidozinho viciado em crack, duas semanas atrás. Não faço a mínima ideia de onde o safado a conseguiu, deve ter assaltado a coleção de algum novo ricaço, este tipo adora coleção de armas. Veio com apenas seis balas que já se encontravam no tambor – o puto estava morrendo de medo de dar um tiro nos próprios bagos – que são suficientes para estourar todos que irão me atazanar hoje, embora não fosse essa a intenção ao comprar a arma.
Bem, conto o meu dia do futuro, agora são exatamente 23:40 de quinta-feira, estou deitado no sofá da minha sala, a roupa suja de sangue, quatro corpos no apartamento e o .357 Magnum sem munição - reflito sobre o que fazer.
Eram aproximadamente 09:00 quando me ligaram da empresa onde trabalho, era o Alfredo querendo saber o que acontecera comigo.
- Você está louco? Consigo um emprego para você, lhe pago melhor que qualquer outro filho da puta lhe pagaria, lhe tiro da sarjeta, da escória, e é assim que você retribui?
- Calma Fredoca (é – era – assim que eu o chamo – chamava), passei muito mal esses dias, acho que é dengue, não telefonei avisando porque bloquearam a linha para chamadas.
- Você é um puta de um mentiroso. Estou indo agora aí vê se está assim tão doente a ponto de não poder vir trabalhar.
Meia hora depois Fredoca toca a minha campanhinha.
- Entre.
Ele entrou, eu estava sentado no sofá onde agora me encontro, pedi que ele se sentasse no tamborete que fica próximo ao sofá. Assim que ele se sentou peguei o .357 Magnum e dei-lhe um tiro no pescoço, bem no gogó, ele voou para a parede, fez uma sujeira terrível, a arma é potente. Arrastei o corpo até o lavabo, tive que tomar cuidado, o pescoço ficou estraçalhado, a cabeça estava feito pêndulo. Deixei o corpo no lavabo e me sentei novamente no sofá, liguei a televisão, estava passando Pica Pau Amarelo, ou Vermelho, sei lá, aquele pássaro idiota.
Na hora do almoço, por volta das 11:45, a campainha tocou, odeio que me interrompam enquanto cozinho – cozinhar é meu sacerdócio. Era Cecília, minha namorada. Deixei que ela entrasse e, como previ, ela me pediu perdão e começou a chorar, ajoelhada no chão da sala, até perceber o sangue ao lado e me olhar assustada. Tirei a arma da cintura e lhe dei um tiro na testa. Ela caiu para trás, ajoelhada, parecida a um João Bobo, aquele palhaço inflável idiota que nunca cai. Arrastei-a para o lavabo. O meu apartamento fica nos fundos de um galpão abandonado, e os dois andares abaixo são depósitos que só são frequentados nos finais de semana, ninguém ouviria os tiros – potentes – do meu .357 Magnum.
Às 12:50 – o horário foi o que me deixou mais irado – o dono do apartamento acompanhado do filho tocou a campainha, interrompi o almoço e o atendi. Eles entraram e, como o apartamento é mal iluminado, não viram o sangue no chão da sala, chamei-os para almoçar comigo na cozinha, não recusaram. Enquanto o pai comia o bacalhau e o filho bebia o cabernet sauvignon italiano, o velho veio me falar do aluguel, dizer que iria me despejar. Atirei na testa da careca dele, já o filho acertei no pescoço para que não terminasse de beber meu vinho. Quando eu estava arrastando o corpo do velho ele segurou o meu pulso, dei um pulo para trás assustado e lhe dei um tiro na careca, fez um estrago feio na cabeça. Para me assegurar de que o mesmo não aconteceria com o menino, dei-lhe mais um tiro, no peito, descarreguei a arma. Arrastei-os para o lavabo e voltei ao almoço, o bacalhau havia esfriado, mas o vinho estava divino.
Dormi a tarde toda, acordei às 19:00 e fui ao cinema assistir Alice no País das Maravilhas – mais do mesmo. Voltei para casa e agora aqui estou, deitado no sofá da minha sala. Não sei o que fazer com os corpos, sinceramente. Posso deixá-los no galpão, mas demorarão a achá-los, os corpos começarão a feder, não suporto cheiro de podridão. Posso colocá-los no depósito, mas com uma investigação superficial ligarão todos os quatro a mim. Vou dormir, amanhã penso melhor sobre isso. Estou fodido.



     "(...) Talvez seja necessário, na discussão de um espaço ainda crítico para a crítica, matar mais uma vez Wilson Martins (crítico literário). Já que sua transformação em imago exemplar parece expor inequívoca vontade de retorno a algo próximo à tradição das Belas Letras, a um regime estável e hierarquizado de vozes e gêneros, a regras fixas de apreciação e prática textual, a um apagamento de novos espaços de legibilidade, espaços ainda não demarcados ou nomeados, e sugeridos por formas de compreensão expansivas, e não exclusivas, do campo da literatura. Um desejo de reierarquização e pureza que não parece sem sintonia com o temor de um universo sóciopolítico menos hierarquizado, com a expansão meio informe de uma classe média cujo imaginário não parece ultrapassar uma coleção inesgotável de bens de consumo. E com uma extraordinária expansão das práticas digitais de escrita, acompanhada, paradoxalmente, no entanto, de uma quase invisibilidade coletiva dessas manifestações, de um encolhimento quase ao absurdo da esfera pública.
   (...) O que parece, no entanto, nostálgico, reativo, talvez não aponte exclusivamente para um período anterior à formação da crítica moderna no Brasil, mas para uma reprodução esvaziada de sentido, e desligada de vínculos efetivos com a experiência histórica, de comportamentos, práticas de escrita e certo culto à autodivulgação e à vida literária que parecem se expandir (em prêmios, concursos, revistas, blogs, antologias, bolsas de criação) em movimento inverso ao da restrição que se opera no campo da produção e da compreensão da literatura, ao da quase total desimportância de livros e mais livros que se acumulam sem maior potencial de instabilização, sem provocar qualquer desconforto, sem fazer pensar. Uma restrição que talvez indique uma incapacidade não só da crítica, mas do campo literário, de modo geral, de reinventar a sua sociabilidade, de produzir condições outras para a própria prática."

FLORA SÜSSEKIND - a crítica como papel de bala.

LUX

“O que aconteceu, sr.?”, perguntou o rapaz, assustado. “Não viu o que houve? Uma luz amarela entrou por aqui, por esse meu ouvido. Agora posso ouvir os sentimentos dos homens.” Respondeu o velho com trejeitos de louco. “A que conclusão, então, o sr. consegue chegar ao ouvir os meus sentimentos?”, o rapaz cria profundamente no velho. “O que concluo, meu jovem, no pouco tempo em que está ao meu lado, é que, enquanto estes que nos olham atravessado esperam o dia em que terão asas, você deseja apenas permanecer humano.”

#09










Na aridez do meu peito encontro conceitos e não pessoas - não entendo. Há tantas ideias apaixonantes, entretanto insistem na concepção exata, rígida e cruel.

#08





É difícil destruir dogmas com toda a imposição da certeza. Por que não saio de cima do muro? Não sei, tente a resposta por aí. Não acredito no amor nem na filantropia.

tenho vergonha do que escrevo aqui.

#07

Um amigo desconhecido me contou um dia que toda a ventania iria acabar. Era sonho, pura fantasia, um livro cheio de carneiros a me apoquentar. Estou ouvindo modas de viola, sorrindo o riso dos outros, não sei falar de amor, estou embromando. Parece até que a lua na minha janela diz quão bela ela é, mas é só resquício de uma companhia que me deu um abraço tonto anos atrás. Ontem foi o dia em que a ventania por um minuto parou. Um beijo tímido, de surpresa, de quem queria e não queria: ela é flautista, toca piano e me faz sorrir. Seu nome tem apenas duas letras que se repetem duas vezes, ela é linda, mas não sei falar de amor.


bêbado, assistindo oswaldo montenegro cantar no programa do rolando boldrin (!).

#06

Ai, que me cansam... Risos frouxos, dentes, alegria, alegria! O ridículo da ultra-exposição, ah, péssimos discos, péssimos livros, péssimos filmes, péssimos... A arte é uma bofetada que vale quinze minutos. Bundas, seios, coxas, músculos, grandes, torneados... Nada me parece mais estúpido que um manequim vivo, sorridente, inconsciente de si. Dêem quanto podem, enquanto fico aqui, desejando apenas um travesseiro e neosaldina.


ah, como estou irado.

ELEGIA PARA FERNANDO

Sinto que se eu lhe dissesse, Fernando, o quanto temia a sua fúria, se soubesse quão forte era, riria de mim, dos meus medos. Agora que é sombra ignota, sua presença é brisa morna, sua ausência mitiga o meu pesar. Sim, é luz turva e isso me entristece, pois era tão moço, um rio desatinado, mal sentira o gosto da vida - o fel da vida-, tornou-se sombra em dia nublado. Fernando, era tão moço, me punha tanto medo, restara sombra em meus olhos, fúria em meus olhos.

ESPANHA EM COR E FÚRIA

Não há nada, Virgílio, que não saiba: todos os corredores estão desertos, como queria; todos os nossos dentes caíram, e não foi culpa sua; você não é o poeta... você não é poeta, para alívio seu. Virgílio nós nos beijamos nas escadas antes de transarmos no corredor, e isso você previu antes mesmo de nos sabermos. Você, que é tão indiferente e frio, é, ao mesmo tempo, tão bonito, e isso você sabia.

VENTO

O cabelo anelado dela lutava com o vento, impacientava-a, era fim de tarde de domingo. Sentados, ela esperava o açaí que seria o pior de toda sua vida, ele esperava o açaí que seria o último que ele pagaria a ela, o vento ressecava os olhos. Os domingos costumavam ter cheiro de sexo, o que seriam dos domingos dali em diante? Amor era tema difícil, era a obstinação desmotivada que os movia, apesar de toda a tranquilidade – ou por causa de toda a tranquilidade. Ela passava a mão nos fios anelados, fitava-o, impaciente.
- Você não vai dizer nada, Edgar?
- Não tenho o que dizer, já discutimos muito, amanhecemos com isso, você sempre volta ao mesmo assunto.
- Você é como uma pedra!
- Tente ao menos uma vez sair dessa bolha em que supõe vivermos, entenderá melhor as coisas.
- Cara, não me deixe mais puta do que já estou. Você nunca foi romântico, sempre indiferente, ultimamente tem se distanciado, apenas transamos, como uma regra, e ainda quer que eu saia “dessa bolha”?
- Nunca nenhum de nós terá razão. A vida nos leva a lugares outros, diferentes de onde quereríamos estar. Buscar justificar, dizer motivos, não mudará o estado atual das coisas.
- Você sabe do ódio que carregarei de você. Embora o ame.
O vento soprava-lhes no ouvido mentiras, fixava o som dos domingos, o gosto acre das palavras.


*A quem convir, onde se lê 'vento' leia 'desespero'. 

FUGA

“Essas bolhas que você tem nos dedos das mãos e dos pés têm uma justificativa: acido úrico”, era o que Inês dizia, fruta cítrica, eu despreocupado. Talvez tenha me tornado filho da Angola em 1888, ou do Cabo Verde, no mesmo ano, ou do Brasil muito antes, em 20 de março de 1662, que de Portugal sempre fui. Terei enfim me libertado das presenças absurdas, das bruxas fesceninas, dos gozos, dos desejos, de tudo que não me consola.
Eu sentia algo triste quando Sophia me olhava e sorria. O dia mal começara, não tinha sol, tinha picnic e grama, atrás de uma Igreja, embaixo de uma árvore. O corpo tão conhecido esperava o bronze, enquanto eu, aplicando meus remédios, fugia daquele lugar, daquelas mulheres, porém tudo me fugia também. No imenso gramado verde-marrom eu depositava as minhas esperanças e relembrava que “sou tudo aquilo que me falta, e mais, sou também o óbvio do presente, a dor na carne, renitente, aquele que ri alto, palhaço sem fantasia, entrecortada a gargalhada por soluços e silêncio de solidão”. Concluí no silêncio que a culpa era das cartas jamais entregues, que bom é o Rio de Janeiro, onde o calor é intenso, as roupas são mínimas, os corpos são malhados, a vista é maravilhosa, cenário ideal para o amor - enchia-me de esperança ver um sorriso doce, ouvir um suspiro cansado depois de um orgasmo simultâneo. Tudo era verde-marrom enquanto eu fugia, enquanto a confusão chegava aos meus pulmões.

SOBRAS

Agora que o que me restou foram as sobras do que eu nunca tive, posso, por fim, olhar sem espanto as mentiras sentidas na carne, no suor, aos poucos deixadas para trás. Não que não haja forma erudita para dizê-las - ela existe -, porém não me incomoda a simplicidade: não me têm os sonhos que já sonhei, as roupas que já vesti, os amores que já perdi, as drogas que já usei.
Olho sem espanto como o dia começa e acaba: é como todo o constrangimento pelo fingimento de Andy Kaufman. Acontece que ele não se importava, o meu câncer é outro, não há mantra ou Filipinas, ele não é mortal, embora faça com que tudo se perca. Espero os dias, espero que passem rápido, que eu não os sinta. As sobras do que eu nunca tive, as chaves do apartamento que esperanço explodir junto comigo. Tudo o que me restou, Andy Kaufman, levaram embora: minha mulher, minhas crianças, tudo o que eu nunca tive. O seu câncer era raro e o matou, o meu me perpetua em nada.

PILOTO

Minha foto
Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

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