PORTUGAL QUE NUNCA CONHECI

Parei a bicicleta próximo a um banco no qual me sentei, à margem do Tejo. O Tejo, o mesmo que corre Trás-os-Montes, o Tejo de Portugal. Peguei da cesta um vinho comprado em Torres Vedras – aventurava-me sozinho em Portugal, buscava a mim mesmo do outro lado do Atlântico. Um português havia me dito que para olhar para si mesmo é preciso, antes, olhar para o Tejo, lá me encontrava, admirando-o. O sangue dos portugueses é salgado, é água do mar, eterno porto do mundo, porém não sabia eu que o olhar de saudade português não está no Atlântico, bastaram dez minutos no banco para perceber isso: “a beleza do Tejo espanca, flor bela no jardim do mundo”, me disse uma senhora de expressão carregada que recusou o meu convite para o vinho. Voltei à bicicleta, pus-me a pedalar na ciclovia, me encontrei em Caieiro pintado na pista, “o Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.” Foi preciso atravessar o Atlântico para fazer as pazes comigo mesmo e com a minha terra.

PILOTO

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Bacharel em direito pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) - MG. "Um sujeito preguiçoso e frio, algo quimérico, ravoável no fundo, que malandramente construiu para si próprio uma felicidade medíocre e sólida feita de inércia e que ele justifica de quando em vez mediante reflexões elevadas. Não é isso que sou?" A Idade da Razão - Jean-Paul Sartre.

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